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Ser

O ser está incansável de seres
que sereiam sem chegar a ser.
O medo está cheio de flores
brotando em sustos esplêndidos.
(Des)entendo.
Há algo
que não devia
Ser.
As calçadas estão desprezíveis
com seus passantes, cantantes, alvejantes.
Mundo.
Este, que outrora fora vasto,
agora derrama-se em seres.
Mortos. Vivos. Desintegrados.
Perderam a chance de ser
as raras notas que ainda sereiam.
Quero (não) ser.

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Reticências

Chegou em casa e abriu a porta. Deitou-se na cama e esperou. E dormiu e sonhou e acordou. Perdeu-se em opostos, impostos, antepostos. Foi embora sem encontrar o que procurava. E morreu perdida no espaço. Saudade.

Aconchego

Sou toda forma e prosa. E caminho por estradas e estrelas e nada. Assim encontro minha vida, porto seguro, caminho do mundo. Gosto de vô, olhar de café, cheiro de amor. Porque em mineirês faço e me desfaço e possuo o privilégio provinciano. Família, sentimento, mãos dadas, reencontro. E assim sigo a memória esqueço a aurora e me encho de quadrilha. Poesia. E volto em metades, me encontro no colo e me esqueço no inteiro. Porque entre mim e meu afeto há vastidões de aconchego.

(Des)encontros

Sinto-me. Descaso-me de abalos, Despida em pudores. Perco-me. Em seus dias, em seus montes, em seu corpo. O sufoco enaltece o desembalo de amor. E nesse embalo (antes chamado você) Destruo-me, encontro-me, acabo. E não me (des)faço. Seus edifícios se encontram em esculturas Talhadas a me perdoar, a me negar, a me aceitar. E seus nós, que me enchem de armadilhas. E seus nossos, que me destroem em harmonias. Seus, nossos, nós. Juntos, presos, perdidos. Armados a serem únicos, Perdem o acaso de meu caso E novamente me (des)encontro. Em seu descaso.