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Versos


Te amo em cada silhueta
em luvas de miséria nos sóis de meio-dia.
Suas pernas são dias nublados e
quase me perco em suas nuvens de aroma.
(Des)Afogo minhas mágoas.
Milhões de vagalumes se debatem em misericórdia.
Deserto.
O sonho está aberto
e a música tem cheiro de vozes.
Estou acendendo suas luzes
buscando o encontro
sucumbindo ao poema.
O (in)verso do amor
me desliga do espelho e afogo e desafogo
nos acasos de Balzac.
Sou eu que estou jogando as cartas
em versos e anversos.
Te escrevo em linhas
Não me canso de buscar seus dedos de chuva
que são como velas perdidas no desenho do vazio.
Amo porque te amo e estou preso no desejo.
Dê-me suas mãos.
O dia está cheio de janelas e de frio.

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Reticências

Chegou em casa e abriu a porta. Deitou-se na cama e esperou. E dormiu e sonhou e acordou. Perdeu-se em opostos, impostos, antepostos. Foi embora sem encontrar o que procurava. E morreu perdida no espaço. Saudade.

Aconchego

Sou toda forma e prosa. E caminho por estradas e estrelas e nada. Assim encontro minha vida, porto seguro, caminho do mundo. Gosto de vô, olhar de café, cheiro de amor. Porque em mineirês faço e me desfaço e possuo o privilégio provinciano. Família, sentimento, mãos dadas, reencontro. E assim sigo a memória esqueço a aurora e me encho de quadrilha. Poesia. E volto em metades, me encontro no colo e me esqueço no inteiro. Porque entre mim e meu afeto há vastidões de aconchego.

(Des)encontros

Sinto-me. Descaso-me de abalos, Despida em pudores. Perco-me. Em seus dias, em seus montes, em seu corpo. O sufoco enaltece o desembalo de amor. E nesse embalo (antes chamado você) Destruo-me, encontro-me, acabo. E não me (des)faço. Seus edifícios se encontram em esculturas Talhadas a me perdoar, a me negar, a me aceitar. E seus nós, que me enchem de armadilhas. E seus nossos, que me destroem em harmonias. Seus, nossos, nós. Juntos, presos, perdidos. Armados a serem únicos, Perdem o acaso de meu caso E novamente me (des)encontro. Em seu descaso.